quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O professor alfabetizador no contexto da alfabetização no Brasil.

O PROFESSOR ALFABETIZADOR NO CONTEXTO DA ALFABETIZAÇAO NO BRASIL

RESUMO

Por considerar-se que uma educação de qualidade depende principalmente da ação pedagógica desenvolvida em sala de aula e que essa ação, por sua vez, está diretamente ligada à formação do professor, propõe-se, neste texto, uma reflexão sobre o contexto de formação do professor alfabetizador, com base na Lei 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). O estudo possibilitou a constatação de que, apesar de polêmica e de suscitar críticas, a LDB trouxe avanços à formação docente, abrindo espaço principalmente para a formação em serviço, na qual o professor amplia o seu "saber fazer" e passa a melhor compreender o "para que fazer".

Palavras-chave: formação do professor; alfabetizador; Lei de Diretrizes e Bases da

Educação Nacional – LDB.

1 INTRODUÇAO

Toda criança tem direito a uma educação de qualidade, a qual mostra não só o sucesso do aluno, como também o da própria escola.

Entretanto, apesar do reconhecimento desse direito e das muitas medidas que vêm sendo tomadas para garanti-lo, ainda existem elevados índices de evasão e repetência escolar. E, de modo geral, constata-se que o fracasso escolar se constitui, em última instância, no fracasso da alfabetização, hoje entendida como expressão e compreensão de significados através da linguagem escrita.

São velhos conhecidos de todos os entraves e as dificuldades existentes na escola, assim como seus mecanismos de produção do fracasso. Embora o assunto faça parte de um discurso já um tanto desgastado, não há como se iludir fechando os olhos e fazendo de conta que o problema não existe. Existe e é estrutural, sendo profundamente relacionado, em qualquer país, a fatores sociais, políticos, econômicos e culturais.

2 O PROFESSOR ALFABETIZADOR
O papel de professor foi mudando ao longo da história: daquele que professa uma crença, passou a ser o eterno aprendiz. A ação de ensinar e aprender são essenciais para o desenvolvimento e perpetuação da natureza humana.

Para alguns teóricos, o significado de papel é muito mais amplo. É toda a função, seguida de um conjunto mais ou menos característico de comportamento próprio para aquela função que se desempenha em um dado momento de sua vida.

A todo o instante estamos desempenhando diversos papéis; de pai, filho, esposo (a), vizinho, esportista, torcedor, professor, aluno, entre outros. Apesar de sermos sempre a mesma pessoa, em cada situação há uma característica, uma forma de ser que nos diferencia das demais. Embora haja algo de constante nas pessoas em diferentes situações, a forma de ser no papel de pai, não é a mesma quando se desempenha o papel de filho, e o mesmo ocorre com o papel de professor, que difere do papel de aluno ou, ainda, quando se assiste ao seu esporte favorito, e assim por diante.

Na formação dos professores/alfabetizadores de jovens e adultos e o conseqüente reflexo na administração de sua própria formação continuada e os objetivos específicos; analisar as políticas governamentais que anunciam oportunizar, às professoras, acompanhamento técnico e materiais, possibilitando-lhes condições reais de administrarem sua própria formação; identificar a dimensão das políticas públicas educacionais brasileiras em consonância com a política econômica e social do modelo de política neoliberal na formação dos professores.

Diante disso, cabe ao professor alfabetizador introspectivamente refletir sobre tão complexa e importante a tarefa de promover o uso comunicativo dos textos, e de todo o resto; reflexão, compreensão, automatização, enfim, da promoção de experiências educadoras de natureza distintas, invariavelmente segmentadas para os conteúdos observáveis e em conformidade com o planejamento. Emília Ferreiro aponta que; "Ao ingressar na série onde começa a ocorrer o ensino sistemático das letras a criança já detém uma grande competência lingüística que não é considerada." Construtivismo de Piaget a Emília Ferreiro- 3ª ed.1994. O que acontece, no âmbito do ensino de alfabetização e séries iniciais do Distrito de Barrgem Leste, comunidade aonde observamos durante alguns anos esta relação de trabalho em educação, é que temos definido proposições sem uma análise profunda relativa ao processo sistemático de alfabetização. Precisamos tornar ou eleger a alfabetização como uma base de sustentação para o prosseguimento de uma vida escolar. Parece ambicioso alocar recursos e direcioná-los as séries iniciais. Mas é um fato, que não estamos conseguindo atingir aos objetivos propostos nos planejamentos de ensino, para a alfabetização, e dói saber que estamos fomentando uma corrente de analfabetos. Em nossas escolas temos professores cada vez mais escravos da filosofia da "pedagogia do exemplo" ao contrário. Estamos incoerentemente tentando montar um quebra-cabeça faltando peças. Resta um compromisso maior de todos os educadores no sentido de restabelecer um redirecionamento para o entendimento da condução realista ao enfocar que o domínio da linguagem e escrita não são facilmente canalizáveis e, portanto precisamos enfrentar esta barreira.

3 A LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇAO NACIONAL E A FORMAÇAO DE PROFESSORES

O Título VI da LDB, que trata dos profissionais da Educação, compõe-se de sete artigos, alguns dos quais estão mais diretamente ligados à formação do

professor alfabetizador, ou seja, daquele que atua nas séries iniciais (1º e 2º ciclos) do ensino fundamental. Em síntese, esses artigos estabelecem:

- os fundamentos da formação dos profissionais da educação;

- os níveis de formação docente exigidos para a atuação dos professores na educação básica;

- as competências dos Institutos Superiores de Educação;

- o tempo mínimo para a prática de ensino, na formação dos docentes da educação básica;

- as estratégias para valorização dos profissionais da educação (estatuto, planos e carreira, condições de trabalho).

Nos limites da presente reflexão, serão objeto de consideração os artigos 61, 61 e 67.

4 ALFABETIZAÇAO NO BRASIL

Dentro das instituições escolares, meninos e meninas têm crescido acreditando numa diferença natural entre os sexos, em suas limitações e habilidades. Ainda são insuficientes estudos que demonstram a ação governamental em confirmar, via educação, os sistemas de gênero. Muito se sabe sobre o estrito controle governamental sobre as práticas escolar via seleção de métodos, programas e currículos escolares, materiais didáticos e de orientação dos docentes. Arroyo (1988), por exemplo, descreve como a ação do governo, no caso de Getúlio Vargas, fez uso de estereótipos de gênero para a expansão do ensino. Aqui, a trilogia mulher-vocação-magistério foi amplamente defendida. Apesar de esclarecedores, nestes estudos, a questão de gênero ainda é abordada de forma acidental.

Noutras realidades, como na inglesa e americana, estudos na área de gênero (Taylor, 1980; Clarricoates, 1987; Evans, 1990) têm evidenciado o poder dos materiais didáticos em reproduzir uma lógica sexista. Como mencionado, no Brasil, tal análise ainda carece de maiores investigações. Neste esforço, o presente artigo buscou analisar as relações de gênero presentes nas práticas pedagógicas orientadas pelas políticas educacionais entre as décadas de 20 e 50, no Estado de Minas Gerais. Este período caracterizou-se pelos ideais do Movimento da Escola Nova, com a adoção obrigatória dos métodos de alfabetização analíticos (Método Global).

CONCLUSAO

Até o presente estágio da pesquisa percebemos a expressiva contribuição dos recursos didáticos na construção e legitimação de versões de uma natureza masculina ligada ao âmbito público (trabalho, aventuras, provedor, poder) e de uma natureza feminina afeita ao âmbito do privado (casa, cuidado-família). Entendendo que estes materiais eram comprados e distribuídos sob a tutela do Estado, pode-se afirmar que estes, certamente, se adequavam aos ideais de seus financiadores.

Não se quer dizer aqui que uma vez divulgados nos livros didáticos, estes estereótipos eram aceitos tranqüilamente pela população da época, sem resistências.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Projeto em Barbacena promove união pela alfabetização de crianças

Quarta-feira 29 de julho de 2009 - Estado de Minas -

Projeto em Barbacena promove união pela alfabetização de crianças
Ricardo Beghini - Estado de Minas


O pequeno Daniel Henrique, de 7 anos, vai se lembrar para sempre de uma tarde ensolarada de maio de 2009. Era sexta-feira e, como acontece toda semana, os alunos de duas turmas do 2º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Doutor Martim Paulucci, de Barbacena, no Campo das Vertentes, trocam as salas de aula por um espaço bem diferente para aprender. Caminhando e entoando canções escolares pelas ruas do Bairro João Paulo II, um dos mais carentes do município, o grupo de 45 estudantes levou menos de 10 minutos para chegar à casa de Daniel.

Como um bom anfitrião, o menino mostrou aos colegas de turma o brinquedo preferido, a bicicleta. No quarto, exibiu orgulhoso o pôster do Pica-Pau, a toalha do Homem-Aranha e a colcha do Batman. O esperto gatinho de estimação também atraiu olhares dos companheiros. Depois, todos seguiram para a garagem e, acomodados no chão, acompanharam outro momento importante de um método pouco convencional de alfabetizar.

Foi quando a mãe de Daniel, a dona de casa Neri Carvalho, viveu seus 15 minutos de mestre e passou a ler para turma o clássico A lebre e a tartaruga. Depois de um rápido debate sobre a obra, atribuída ao fabulista grego Esopo, e pouco antes de retornar à escola, os alunos apreciaram o refrigerante e os quitutes, especialmente preparados por dona Neri.

Entre os convidados estava a professora Eliane de Paula Rocha, de 35 anos, responsável pelas visitas semanais às casas dos alunos. Ela percebeu que a interação entre a comunidade e escola tem grande potencial para alfabetizar. “No lugar de aprender o B de baleia – sendo que Minas não tem mar para que ele a veja –, o menino assimila melhor o B de Bruno, seus brinquedos e sua história”, explica.

Paralelamente, a iniciativa contribui para resgatar hábito de leitura entre família, que pode aproveitar o fim de semana para ler conjuntamente outros clássicos cedidos pela professora. “Os pais são os primeiros educadores”, assinala. A atividade não termina aí. Dentro da sala de aula, na semana seguinte, os estudantes registram numa folha, que traz a foto do aluno anfitrião, as impressões da atividade, redigindo sobre o brinquedo, o animal de estimação, a história contada pela mãe e a casa. Além disso, a professora trabalha a construção de frases a partir dos dados coletados na rua e no bairro percorrido.

Tomando por base, principalmente, a obra do educador Paulo Freire, que defende a alfabetização a partir da realidade do aluno, o projeto de Eliane, batizado de Minha escola, minha vida, começou a ser aplicado no ano passado. A professora lecionava para 18 alunos do 1º ano, na faixa etária de 6 a 7 anos, da Escola Municipal José Benedito Campara, distrito de Mantiqueira do Palmital. Na Zona Rural de Barbacena, ela conquistou o impressionante índice de 90% de alfabetização.

Os alunos foram avaliados no fim de 2008 numa prova diagnóstica, seguindo as diretrizes do Centro de Alfabetização e Escrita (Ceale) da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O resultado obtido por Eliane é duplamente significativo. Em primeiro lugar, o clico de alfabetização termina no 3º ano do ensino fundamental.

Além disso, o número foi obtido numa escola de zona rural, onde são escassos os recursos visuais. “O mundo letrado dessas crianças é muito mais pobre. As ruas não têm nomes e o comércio não possui identificação. Isso não ocorre na área urbana, onde as crianças são bombardeadas por outdoors, placas de propagandas, possibilitando uma inserção precoce no mundo letrado”, ressalta a idealizadora.